APRENDIENDO A ESCRIBIR

Mais confiança e menos guião

Imagem gerada via Gemini

Mais confiança e menos guião
Mais confiança e menos guião Juan A. Sánchez

E assim aconteceu tudo. Tão simples e rápido que todos ficaram surpreendidos. Tinham preparado até ao último detalhe, planeado todas e cada uma das possíveis alternativas que lhes pudessem apresentar, os imprevistos, as falhas que pudessem surgir, uma coordenação perfeita. E tudo para nada? Como se todas as suas preocupações tivessem sido inventadas apenas para complicarem a própria existência. E, na verdade, assim foi.

Semanas, meses de árduo trabalho, de planeamento constante, de ensaio (e erro) permanente para algo menos de cinco minutos que durou a sua apresentação. Os cinco minutos em que os membros do júri lhes prestaram atenção antes de passarem à seguinte. A uma apresentação que se percebia à distância não ter sido preparada e com um protótipo que parecia estar inacabado. O deles, pelo contrário, parecia pronto para sair para o mercado.

E, no entanto, ambas as apresentações, ambos os protótipos, foram os únicos que tinham passado a eliminatória entre dezenas que se tinham reunido naquela manhã quente. Os únicos que competiriam numa fase seguinte de vida ou morte. E o deles, como um deles tinha ouvido o júri comentar de soslaio, não tinha sido o mais bem valorado.

Aquilo fez com que, apesar de terem passado, de terem cumprido as suas expectativas, aqueles jovens impecáveis, de boas famílias e bem educados em escolas caras... Apesar de o simples facto de terem passado lhes abrir um futuro promissor, de tudo aquilo por que tinham lutado ter dado frutos e de poderem começar a respirar tranquilos... Apesar de tudo, o facto de aquele rapaz de bairro de uma cidade de província, de aspeto algo descuidado, tal como a sua apresentação improvisada, lhes ter passado à frente, mortificava-os.

Reuniram-se ao terminar à volta de uma mesa de uma cafetaria em frente ao local do evento, onde continuavam a moer-se com aquilo. Um deles perguntou irritado aos restantes como era possível que um gajo de bairro da província, com uma apresentação de trazer por casa, tivesse ficado à frente deles.

—Isso é o que vocês acham? —disparou aquele «rapaz» que passava por eles, a caminho do balcão para celebrar o seu triunfo com um olhar altivo e um sorriso malicioso, sem que nenhum tivesse dado pela sua presença—. Bem. Correu ainda melhor do que eu pensava.

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Juan A. Sánchez

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