APRENDIENDO A ESCRIBIR

Tudo terminou

Imagem gerada via Gemini

Tudo terminou
Tudo terminou Juan A. Sánchez

Fez-se um silêncio estranho. Cessou todo o alvoroço da batalha. O som da derrota.

O inimigo tomou as nossas primeiras linhas e os que ainda respirávamos — pelo menos os que estávamos ali e não do outro lado por termos tido o azar de aquele maldito 18 de julho nos ter apanhado onde apanhou e não noutro sítio. Embora sinta que a nossa sorte não teria sido muito melhor.

Houve um que ainda nos instigava a continuar a disparar. Até «que não reste nem um único fascista em pé». Era o comissário político. Não conseguiu terminar o seu discurso. Uma bala atravessou-lhe a têmpora, mas não veio dos nossos captores. Não fui eu; há anos que odeio mais este maldito máuser do que esse filho da mãe.

Preparava-me para levar as mãos à cabeça e render-me. Façam o que fizerem connosco os revoltosos, não pode ser pior do que o que vivemos todo este tempo. Ou talvez possa, mas a estas alturas tanto me faz. Conseguimos acordar deste pesadelo, embora saiba bem que estamos prestes a começar outro.

Três companheiros à minha esquerda, vejo cair um fuzil que ainda libertava um fio de fumo. Sem dúvida que acabou de disparar depois do resto. Já sei quem é. Quando tudo isto acabar, tenho de lhe pagar um copo de vinho.

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Juan A. Sánchez

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